terça-feira, 9 de setembro de 2014

Ano sabático

Vou dormir preocupada com o futuro. Demoro para pegar no sono pois coloco no travesseiro todas as frustrações, ansiedade, medo e cansaço. Acordo, porém, para um dia renovado e cheio de esperança.
Apesar de tudo o que passei, estou muito feliz com meu ano sabático.
Tirei o ano para realizar projetos pessoais, estudar - e muito!, fazer trabalho voluntário, me distanciar da rotina estressante da minha profissão, cuidar da minha família e repensar a vida, carreira, enfim, viver feliz e intensamente. Além disso, já estou preparando para decorar o apê!
Estou super ocupada, mesmo em período sabático. E isso não significa estar de folga. No início precisei descansar a cabeça e repensar a vida, planejar os próximos passos.
É claro que cada um tem um motivo para tirar um ano de folga. Eu tive váaaaaarios. E não me arrependo.
Meu crescimento pessoal e profissional está cada dia mais próximo daquilo que desejo. Largar tudo me permitiu realizar coisas que não tinha realizado até agora. Foi uma escolha que demandou muita coragem e força de vontade.
Eu repensei minha história, meus tropeços e conquistas. Aceitei as escolhas que o destino me ofereceu. Aprendi muito mais do que se eu estivesse trancada em um cubículo, recebendo ordens discrepantes e olhando pela janela desejando estar em outro lugar.
Me sinto pronta para as decisões que terei que fazer em um futuro breve. Em poucos meses, estarei diante da maior façanha. Afinal, a jornada é o destino. O que acontece pelo caminho é vantagem.
Apesar do friozinho na barriga pelas novidades que estão para chegar, sentirei falta do meu ano sabático que durou mais que um ano! (e pra falar a verdade é para poucos! ;) )




sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Quando?

"Chore. Grite. Ame. Diga que valeu, que doeu, que daqui pra frente só vai melhorar. Perdoe, insista, ame novamente. Não leve a vida tão a sério. Descomplique. Quebre regras, perdoe rápido, beije lentamente. Ame de verdade, ria descontroladamente e nunca lamente nada que tenha feito você sorrir".
Vinícius de Moraes era uma homem sábio. Em poucas palavras conseguia sintetizar a essência de viver. Do bem viver.
Para muitos a vida é assim. Descomplicada e sem obstáculos. Mas não para mim. Cada dia é um novo dia, um novo desafio. E como são pesados...
Sinto que estou desperdiçando meu tempo e meus desejos estão ficando cada vez mais distantes. Se conquisto uma coisa aqui, perco outra ali.
Estagnação é o tema da minha vida. Quando dou alguns passos para a frente, algo acontece e dou outros milhares para trás. Observo outras pessoas e vejo que as coisas são tão fáceis e os obstáculos que eles encontram são tão fáceis de superar.
Believe me. 2012 e 2013 não foram anos fáceis de encarar. Sinto-me agradecida pela minha saúde e pela saúde de minha família mas a carga negativa que esteve por aqui foi muito intensa. E ainda está.
Eu sinto o peso do mundo nas costas e estou ficando cansada de carregá-lo. Estou ficando sem forças para me lançar à frente. Estou ficando sem forças para poder me ajudar porque vivo ajudando os outros...
E então, me pergunto todas as noites: quando a minha vez chegará? Quando será mais leve? Quando será?



segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um lar pra chamar de meu

Há meses eu queria postar sobre esse assunto mas algo me dizia para esperar.
Acho que hoje é o momento de dividir com vocês uma alegria que recebi este ano que, para mim, foi o pior de toda a minha vida (e olha que ele ainda nem terminou...)
Com o dinheiro de meus últimos dois empregos aplicado eu comprei uma cobertura!! Agora eu não posso mais dizer que sou nômade!
A entrega do apê está agendada para julho de 2014, mas como todos nós sabemos deve atrasar alguns meses.
Bom, já venho me preparando para decorá-lo. Eu o comprei no final do ano passado, na planta, o que para mim foi um achado já que não tinha pressa para habitá-lo. Na verdade, nem foi tão difícil encontrá-lo. Me apaixonei logo pelo primeiro que eu vi e eu visitei uns quatro com a ajuda do Jr.
E para comemorar essa conquista, aqui vai um poema de Carlos Drummond de Andrade:

Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um cenário de novela.
Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo: Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante, passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca ou namora a qualquer hora do dia. Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.

Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.


domingo, 16 de junho de 2013

Feliz aniversário



Como explicar ou definir amor maternal?
É tão sublime, puro e forte! Ultrapassa todas as barreiras do pouco que conhecemos e sabemos.
É um amor repleto de sonhos, desejos, preocupações, companhia, sabedoria.
Ao mesmo tempo reflete uma vida inteira dedicada aos filhos. São 74 anos de disposição, carinho, ternura, bons conselhos.
Às vezes olho para você e desejo ter um pouquinho que seja dessa sua disposição em ajudar e estar ao nosso lado. Quando me sinto cansada ou desanimada, olho para você correndo prá lá e prá cá com suas netinhas e penso que não tenho o direito de estar assim.
Você é nosso modelo de mãe e mulher nesse mundo que não para de nos dar maus exemplos.
Você é nosso porto seguro, nosso chão e nosso mundo. Quando tudo dá errado ou quando as coisas não saem como gostaríamos, você está ao nosso lado nos incentivando.
Somos abençoadas por termos escolhido você como mãe, amiga e conselheira.
Gostamos de estar ao seu lado, de rir, de conversar sobre tudo. Você é tão sábia! E no alto de seus 74 anos, tão disposta ao novo. Você não envelhece, adquire sabedoria e conhecimento.
E por falar em conhecimento, tenho certeza que muitos outros "filhos" seus agradecem por sua persistência e dedicação durante os tantos anos de atuação no ensino público deste país que não está preocupado com a educação.
Obrigada por nos ensinar sobre cultura.
Obrigada por nos ensinar sobre educação.
Obrigada pelo seu amor.
Obrigada por ter me recebido em seu ventre e ter me dado o dom da vida.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Coisas do interior


Fiquei tanto tempo sem escrever aqui que pensei que fosse incapaz de fazê-lo novamente. Mas não foi só isso que me afastou do meu blog. Muita coisa - boa e ruim - aconteceu.
Tenho a sensação de estar renascendo. Estou dando os primeiros passos novamente em muitos aspectos da minha vida. Até então estava sem chão, sem rumo.
Reavaliei muita coisa. Reavaliei sentimentos, ações, posturas, amizades, profissão e família. Percebi que meu porto seguro, mesmo querendo negar desde os meus 14, 15 anos, é minha família. Estamos em um momento de recuperação. Tivemos muitas perdas em um ano. Entretanto, para os pessimistas de plantão, estamos indo muito bem, obrigada!
Não me sinto fracassada de estar aqui de volta, pelo contrário. Me sinto renovada. Só quem mora no interior para saber o quanto esse tempo que temos aqui é precioso. Só quem vive no interior sabe a importância de termos tempo para apreciar as coisas boas da vida. Não temos trânsito, não temos pessoas grossas, pessoas atropelando o outro para entrar em um meio de transporte coletivo, não temos poluição e temos o que você não tem na capital: liberdade.
Tenho minha mãe, com 73 anos e ativa, minhas irmãs, pessoas iluminadas e sábias, e minhas sobrinhas que chegaram há pouco na família, além de tias e primos por perto. Isso é motivo suficiente para ter pena de pessoas que acham que família é um estorvo. E conheci muitas pessoas assim...
Reavaliei minha carreira. Sou graduada em Relações Públicas e em Jornalismo. Amo o que faço e faço com prazer. Admito que ouvi muitas frases como "está uma porcaria", "não era isso que eu queria", "você não é boa com atendimento", entre outras frases "gentis". E hoje posso afirmar: isso não é maneira de capacitar um funcionário. Sei que essas frases me influenciaram em algum momento da minha vida e até me atrapalharam. Elas me fizeram entender o que eu quero e quem eu sou. E eu sou capaz, afinal, trabalhei em todas as áreas da comunicação e procurei me especializar desde o segundo ano de faculdade, isso lá em 1995. Ou seja, são 18 anos trabalhando sem parar.
Neste momento, entretanto, estou em casa, na companhia de minha mãe e de minhas sobrinhas. Observo-as brincando, crescendo e aprendendo e vejo como é bom ter esses momentos. Estou assistindo Sob o Sol da Toscana pela décima vez, comendo pipoca e tomando um chocolate quente em plena quarta-feira chuvosa e fria, coisas simples que tenho certeza, dão inveja em muita gente por aí.
Inicio hoje, portanto, após dois meses de férias forçadas, uma nova fase em minha vida. Aguardem e morram de inveja!

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Hopes & Dreams

Inicio o primeiro post de 2013 pedindo aos deuses da escrita que me inspirem o ano todo.
2012 foi um ano difícil, pessoal e profissionalmente. Muita coisa mudou. Aprendi muito e estou disposta a aprender muito mais. Tenhos sonhos e esperança de realizá-los.
O que preciso controlar, entretanto, é minha ansiedade e o tempo. Preciso que o tempo seja meu aliado porque quando percebo já é sexta-feira. Quando percebo já é natal e então, já terminou o ano!
E como diz Mário Quintana, "quando se vê perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê passaram 50 anos!"
Acredito, do fundo de minha alma, que este ano será invadido por um turbilhão de sentimentos e ações que mudarão minha vida.
Então, que sejam mais doce...Todas as manhãs.
Que sejam mais doce...As atitudes diárias.
Que seja mais doce...A espera pelas mensagens e ligações.
Que seja mais doce...A minha presença na sua vida.
Que seja mais doce... O convívio.
Que apenas seja mais doce...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

I`m back, baby



Após um período de ócio e de pouca vontade e criatividade, cá estou.
Minha vida mudou radicalmente. Agora sou uma jovem tia de duas meninas lindas. Tudo gira ao redor delas. Algumas pessoas me criticam por isso, mas quando se é solteira sem filhos, ter sobrinhos ocupa esse vazio.
Esse tempo todo sem escrever aqui me fez (re)pensar os objetivos de vida. Sim, tenho planos. Sim, tenho vida. Estou ansiosa, mas no bom sentido da palavra. 
Além disso, tenho outra novidade. Serei tia de novo. Priscila está grávida novamente. A previsão de nascimento é 9 de junho. Haja coração e bolso pra taaaanto gasto. Mas eu não me importo. Eu trabalho para isso.
Enfim, fim de ano chegando. Estou cansada, mas feliz.
À medida que tiver tempo e disposição, vou postando.
Um beijo.


Tempo de resoluções

Voltando aos poucos. Decidindo e colocando pontos finais em algumas situações que precisavam ser resolvidas.
Tempo de reunir forças para continuar em frente.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Miss you...



Nunca pensei que fosse me sentir tão arrasada, devastada e impotente.
Quando minha irmã disse que estava grávida, eu já sabia que seria um menininho. E torci todos os dias até termos a certeza que era o Enzo que estava chegando em nossa família.
Como sua vinda demorou muito tempo, ele foi amado desde o primeiro dia. Por ser uma família de mulheres muito fortes, a novidade de ter um menino correndo pela casa foi motivo de muita alegria e de diversos planos.
Eu, como uma tia coruja, já tinha planos: estava comprando muitas coisinhas, esperava o momento de te pegar no colo, dar seu primeiro banho em casa, te fazer dormir como faço com suas primas gêmeas... queria te ensinar muito palavrão (sua mãe ia me matar!), jogar bolinha de gude (eu era craque nisso quando criança), empinar pipa, falar com você somente em inglês, comprar um montão de livros e incentivar seu lado nerd pra desespero de seu pai roqueiro...
Queria muito ter tido tudo isso com você, mas Deus te levou logo que você nasceu. Seu tempo foi muito curto. Você se tornou um anjo de luz e fará muita, muita falta.
Agora estou eu aqui, sem chão, chorando escondido pra sua mãe não perceber que eu sinto sua falta e que não sou tão forte assim.
Mesmo assim, obrigada por escolher-nos como sua família, obrigada por me escolher sua tia e madrinha. Sentirei sua falta pro resto dos meus dias.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Pausa para a criatividade

Ando sem tempo e sem vontade. Ansiedade modo on, esperando por notícias. Tentando colocar a minha vida em ordem.
Assim que tiver os dois, volto a postar.
Beijos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Te agradeço

Post número 500 e primeiro de 2012. Entretanto o assunto eu gostaria que fosse outro, mas não consigo pensar em outra coisa. A saudade aperta o coração, o pensamento fixo em você.
Ah, como gostaria que este dia fosse diferente. Adoraria acordar cheia de planos. Convidar seus amigos, seus irmãos, sobrinhos, primos. Ah, como eu gostaria de fazer uma festa surpresa e olhar seu rosto, surpreso e cheio de alegria, grato por ter tantas pessoas maravilhosas ao seu lado.
E nessa festa, agradecer por tudo o que você nos proporcionou, mesmo que em tão pouco tempo de convivência.
Como eu gostaria que você tivesse acompanhado minhas vitórias e até meus fracassos. Gostaria muito de ter compartilhado com você minhas dúvidas, decepções e teu colo.
Mas algo interrompeu nossa relação. Você se foi. Fiquei aqui, perdida.
E me encontro assim há quase 16 anos. Sem você.
PAI, hoje eu pensei muito em você e gostaria de lhe dizer muito mais, tudo o que eu não pude dizer nesses anos que não passamos juntos.
O que posso fazer é agradecer por ter sido meu pai e desejar que aí em cima, a festa esteja muito boa!
Feliz aniversário, paizinho.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Thank you 2011. Bring it on 2012!




Último dia do ano para escrever. Minutos finais de 2011. Não fiz lista alguma, nem de pedidos nem de resoluções para 2012.


Este ano foi intenso demais. Só quero agradecer e realizar. Tudo o que ainda me falta.

"Se existe amor, há também esperança de existirem verdadeiras famílias, verdadeira fraternidade e verdadeira paz. Se não há mais amor dentro de você, se você continua a ver os outros como inimigos, não importa o conhecimento ou o nível de instrução que você tenha, não importa o progresso material que alcance, só haverá sofrimento e confusão no cômputo final... O fundamento de toda prática espiritual é o amor. Que você o pratique bem é o meu único pedido". (Dalai Lama)




Até 2012!

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Doce Novembro



Enfim, coisas boas, bons sentimentos, bons pensamentos, atitudes positivas!
Novembro chegou trazendo um pouco de paz e esperança. Milagres não acontecem por acaso na nossa vida. E o milagre de ver a vida com olhos mais felizes já torna o dia a dia mais leve.
Eu estou mais leve. Não estou 100% satisfeita comigo e com minhas escolhas, mas é o que eu tenho e o que eu sou no momento. Sinto que estou melhorando em algumas coisas, piorando em outras, mas na média, me sinto uma pessoa melhor sim, principalmente comigo mesma.
A vida é assim. Uns dias em alta, outros, em baixa. No roller coaster da vida, a gente aprende por bem ou por mal, pela dor ou pelo amor.
Eu prefiro o bem e o amor, mas às vezes, a dor insiste e toma conta. Entretanto, esses primeiros 15 dias de novembro têm sido bem constantes, mas com muitas decisões a serem tomadas. Algumas eu consigo resolver racionalmente, outras, sou tomada pelo tesão e aí, o que eu tinha em mente, se desfaz em milhares de pedacinhos, com apenas um beijo.
Mesmo assim, preciso tomar decisões. Não posso passar o novo ano com tantas expectativas e nenhuma resolução. Minha vida está em um momento muito bom. É claro que quero que esteja melhor, mas para isso, preciso me desligar de algumas coisas, pessoas e sentimentos. Será que consigo?
Eu tentei algumas coisas, mas falhei. Estou lutando contra sentimentos e neuras, mas mesmo assim, me sinto em paz. Não sinto mais aquela angústia, medo e ansiedade. Eu sei que pareço um pouco confusa, mas só preciso de um tempo. Preciso que os próximos dias sejam ainda mais doces.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Que venha Outubro!

(foto: Anne Geddes)






Agosto e Setembro não foram meses bons. Mesmo. Muita coisa ruim aconteceu, muitas notícias tristes e o pior para mim: me encontro no mesmo lugar há um ano.

Não sei como sobrevivi. A homepatia ajudou, mas o que valeu mesmo foi que minha visão de tudo isso mudou. Ou seja, ou chorava e me deprimia achando injusto tudo o que aconteceu ou recomeçava. Fiz as duas coisas. Chorei, esperneei, esbravejei, me deprimi....discuti com Deus, nas esperança de estar com a razão. Pronto, passou. Parece que estou mais forte. Pensando em recomeçar e sem planos. Porque meus planos nunca dão certo. Estou esperando que a vida me leve pra algum lugar. Tenho até dezembro, pois em 2012 eu recomeço. Não sei o que farei, mas até lá eu penso em algo. Aliás, acho que já recomecei, mas planos mesmo, só ano que vem. Agora nem quero pensar nisso. Eu pensei demais e só o que ganhei foi uma gastrite.

Também fiquei sabendo do sofrimento de pessoas queridas. Além disso tudo, fico me perguntando se o meu sofrimento é tão ou maior que o dessas pessoas. E então, me lembro de alguns ensinamentos espíritas e peço desculpas pelos meus péssimos pensamentos. Estou tentando ser uma pessoa melhor. De algumas pessoas me distanciei não porque queria, mas porque devo, se assim quiser ser um ser melhorzinho e não queimar no mármore do inferno... Gostaria muito que tivesse um final diferente, mas este, nem teve final... mal teve um início. De outras pessoas me afastei por falta de tempo e, de certa maneira, pessoas se afastaram de mim. Sinto falta, choro de saudades, mas a vida é assim. Amigos vão e vêm.

Enfim, agosto foi literalmente "o mês do cachorro louco". Então, fiz um pedido. Venha Setembro, mas por favor, traga coisas boas.

E Setembro chegou com duas lindas notícias. Anna e Cecília. Minhas sobrinhas gêmeas. Estou mais entusiasmada que a mãe. Quero comprar tudo o que vejo na frente. Tudo rosa! Já comprei bonecas para o dia das crianças e já estou me programando para comprar todo o enxoval porque minha irmã já não consegue se mover com aquele barrigão todo. Mas uma coisa eu digo: podemos estar preparados para tudo nessa vida, menos para a chegada de gêmeos. A primeira reação da minha mãe foi saber o que fazer com duas crianças. A minha foi chorar. De felicidade.

Mas hoje em especial, aliás, nos primeiros dias de Outubro tenho me sentido melancólica, tristezinha mesmo... Como se algo estivesse faltando.

Quero ajudar todo mundo, abraçar o mundo... mas como? Se nem consigo me ajudar? Quero fazer tudo ao mesmo tempo agora e resolver todos os problemas ontem... E o coração aperta no peito. A ansiedade volta com força. A tristeza chega de repente e se instala com pompa e circunstância. Me sinto impotente, só, sem rumo.

Apesar de estar no vácuo, no limbo, me sinto cada dia um tantinho mais forte. Estou com medo, porém. Visualizo o futuro sem grandes expectativas. Será que já desisti mesmo dos meus sonhos ou eles estão depositados em algum fundo falso de minha alma, esperando uma oportunidade para se tornar realidade?

Enquanto isso, deposito o restinho de força que me sobra esperando por um milagre em Outubro...

domingo, 7 de agosto de 2011

Tá ficando chato...

Já dizia a composição de Cazuza, Arnaldo Antunes e Zaba Moreau "respeito quem é radical/ respeito quem ama errado/ respeito o cara careta e o exagerado/ quem não gosta de criança/ e quer viver solitário/ quem odeia rock'n'roll mas gosta de um rebolado/ só não há perdão para o chato / perdão para o chato/ não há perdão/ o reino dos céus é do chato/ do chato, do chato/ do otário e do cagão".

O chato é o que pensamos que é politicamente correto, pois nos esquivamos de dar a cara à tapa, de buscar e exigir nossos direitos. A sociedade procura ser 100% ética em momentos que uma voz precisa ser ouvida. Nesse momento, cala-se o bom. Aquele que deveria ser exemplo à sociedade evita falar para não ser perseguido ou processado.

Aquela rebeldia que inicou nos anos 50 e se estendeu nas décadas de 60 e 70, onde o rock'n'roll ditava a moda, mudava comportamentos e influenciava gerações ficou para trás, guardada apenas na memória daqueles que sonhavam transformar o mundo. A década de 1960, conhecida como Anos Rebeldes graças aos grandes movimentos pacifistas ganhou um caráter político de contestação. Nessa época, era proibido proibir, regras inúteis ou sem sentido eram quebradas e discriminação era o mote que levava milhares de jovens às ruas. Ser radical naquela época pareceia ser a única saída.

Havia cerceamento da liberdade de expressão, afinal assombrava-nos a ditadura, mas as pessoas estavam lá para garantir seus direitos, para serem ouvidas em suas necessidades básicas. Não havia a tal vergonha alheia em lutar, em dar opinião ou exigir direitos.

Antigamente, protestava-se sem medo de ser processado. Hoje, o politicamente correto induz ao erro, à má interpretação. Hoje, são retiradas da língua portuguesa todas as palavras que, supostamente, carregam algum tipo de preconceito e chega-se ao cúmulo de aceitar a escrita errada para não discriminar. A educação, que deveria libertar e dar conhecimento para formar o eleitor e o cidadão, exclui.

Quem tem educação é menos enganado. Ter educação é ter acesso a mais saúde, mais segurança e mais cultura, pois ficamos conscientes do que realmente é necessário lutar. Quem tem educação não tem medo de se expressar. É esse o motivo que leva o governo a investir cada vez mais em presídios e cada vez menos em educação e ciência? Estamos convivendo com uma população cada vez mais massacrada por regras e leis inúteis e cada vez mais desatenta de seus direitos? Desatento aqui, é politicamente correto, infelizmente.

Hoje, ficou muito confuso se comunicar apesar do avanço tecnológico e das comunicações. Nada pode, tudo discrimina. Não há mais certo ou errado e sim, adequado e inadequado. Chamar uma pessoa de negra é caso de polícia. O politicamente correto é afrodescendente. Mas, e a cor na certidão? A minha é branca e isso não seria discriminatório? Tarado virou maníaco sexual, como se o nome pudesse explicar o ato em si. Sexo virou orientação sexual para não excluir pessoa alguma. Gay, nem pensar!

Graças ao politicamente correto, tudo ficou chato, certinho, hipócrita. O politicamente correto está acabando com todas as relações humanas, com a cultura dos países. Polêmica, hoje em dia, não vai além de "causar" nas redes sociais. O máximo é alcançar os trending topics para "fazer algum barulho".

A imprensa que deveria mostrar erros, indicar soluções e até mesmo coibir o politicamente correto está aderindo a essa moda infame. Faz o mau uso das palavras para incitar, para vender notícias. Poucos meios de comunicação vêm lutando para evitar que leis absurdas tornem nossa vida mais difícil, mas são raramente ouvidos pela população. Exemplos clássicos são a proibição de layout de farmácias que incitem a automedicação, as cotas universitárias e o mais recente, a aprovação pelo MEC de um livro didático que admite o erro de português e a recusa em retirá-lo de circulação. Todos eles excessivamente debatidos nesses meios de comunicação que enxergam além das cortinas e que não têm medo de denunciar.

Ninguém tem o direito de policiar ou julgar as ideias do outro. Entretanto, extremistas de plantão atacam sem dó nem piedade os esquecidos, pobres coitados que ainda usam essas expressões. O politicamente correto avança com uma velocidade devastadora em todos os setores de Brasília e de lá, cai no uso e, pior, no gosto do povão. Opa, desculpa, da população.

O chato é não lutar por causas justas. O chato é evitar discordar só porque alguém vai se sentir ofendido. Respeitar as diferenças e a opinião alheia é coisa diferente. E, acredite, parte disso é culpa nossa. A começar pela educação que damos em casa. Seja sincero: queremos um mundo melhor para nossos filhos, mas, estamos entregando filhos melhores para o mundo? Filhos capazes de enxergar o outro, de se doer pela minoria e lutar por eles? Nessa busca pelo tratamento especial estamos colaborando para o não desenvolvimento do país. Estamos regredindo e na verdade, oferecendo a nossos filhos não a chance de uma vida próspera e sim, a sua marginalização, pois quem não tem cultura não progride.

Respeitar aquele diferente de mim é incluí-lo como cidadão. Aquela pessoa diferente a quem não podemos chamar de negro, gay ou pobre, também paga contas e impostos, trabalha para seu desenvolvimento pessoal e para o futuro do país. O politicamente correto não aceita isso. O politicamente correto é chato porque tira do cidadão sua capacidade de progredir. E para isso não há perdão.