sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Segundo round

É engraçado como a cultura e a educação influenciam sobremaneira as nossas escolhas.
Quando temos acesso à educação, podemos analisar mais criticamente nossos candidatos e suas plataformas eleitorais. Não apenas os candidatos, mas teríamos mais argumentos para questionar os políticos que escolhemos e que não estão fazendo seu trabalho.
Ainda assim me espanto com as pessoas nas ruas, comentando sobre o segundo turno da eleição para presidente. E me espanto mais ainda quando as pessoas se doem por seu candidato não ter sido eleito no primeiro turno como se isso dependesse sua vida.
Os valores inverteram. São eles, os candidatos, que precisam de nós, dos nossos votos, da nossa aprovação. Eles precisam mostrar que estão aptos a exercer esse cargo. Não devemos a eles nenhum favor, pois esses candidatos serão nossos representantes. É do nosso bolso que sai o dinheiro para o pagamento do salário desses candidatos.
Fico triste porque o país ainda não investiu o suficiente na educação para que a população tivesse condições melhores para analisar e criticar (de propósito ou não, não sei...). Talvez educação e cultura ainda não estejam na pauta dos candidatos e muito menos na vida dos brasileiros. Imagino como será o futuro do país... aliás, não quero saber.
Portanto, vamos para a segunda etapa. Espero que Deus olhe por nós, brasileiros, porque se depender da vontade da maioria, estamos fritos.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Se cercar, vira hospício; se cobrir, vira circo!


Aqui estou. Tentando configurar meu micro, pois meu teclado evita ardentemente acentuar as palavras. Ce cedilha não existe... o ponto de interrogação é tecla mística.
Mas não estou aqui para questionar a configuração do meu micro e sim, para desabafar.
Até agora não consegui escolher meus candidatos para esta eleição. Se bem que há várias eleições que meu voto é sofrido. Estas não são exceção.
Já tenho meu candidato a presidente, mas não é o meu ideal. Menos ainda os candidatos a governador, senador e deputados. A vaga para candidatos a deputados virou chamariz de voto para membros do mensalão e candidatos fichas suja (aliás, toco nesse assunto mais pra frente), além de ter que aguentar sub celebridades, ex-jogadores, palhaços, entre outros esquisitos.
Na reta final, vejo alguns candidatos como potenciais, mas nenhum capaz de ter um programa de projetos que seja realmente posto em prática. A luta pela vaga é disputada não por candidatos, mas pelos marketeiros. Mostram um Brasil lindo, com economia e educação dignos de primeiro mundo. Mas o que vemos é um país que ainda não possui sequer cultura para separar o joio do trigo. Um país em que as pessoas ainda trocam voto por dentaduras, botinas, dinheiro.
Outra vergonha é o país ter que obrigar seus candidatos a ter ficha limpa. Para ser candidato, a ética e a honestidade tinham que ser inerentes ao caráter da pessoa. Não uma obrigação e sim, uma qualidade.
O futuro político do país precisa ser levado a sério. Olhando bem para os candidatos e seus projetos dá uma vontade de reclamar, mas o voto de protesto leva para o congresso membros do mensalão e outras espécies de malandros e afins. Políticos confundem política com politicagem e dá nisso: se cercar, vira hospício. Se cobrir, vira circo, como dizia meu bisavô.
Agora nos resta apertar as teclas e rezar para que as pessoas que nos representarão sejam dignas do salário que receberão e que sai dos nossos bolsos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Pior que está fica sim!

Eleger um candidato é uma oportunidade de fazer valer sua voz. O deputado, prefeito, senador, governador ou presidente são seus representantes e portanto, devem servi-lo com ética e senso de justiça.
Entretanto não é assim que o processo eleitoral acontece no país. Muitos são os candidatos que estão concorrendo a uma vaga simplesmente pela oportunidade de ter um cargo público e usufruir de seus benefícios, estes, pagos com nosso trabalho dentre as várias taxas e impostos, muitas vezes abusivos.
É por esse motivo, também, que devemos ter em mente o voto consciente. Há décadas o eleitor se depara com candidatos despreparados, com venda de voto, com promessas e escândalos em época de eleições.
As denúncias e escândalos provam o quanto os candidatos eleitos se mostram ávidos pelo poder e cercados pela corrupção. As promessas são engavetadas, algumas vezes cumpridas, mas muitas esquecidas após a campanha. Serviram apenas para ganhar a confiança do eleitor indeciso. A venda de votos não acontece apenas no sertão ou nos rincões do interior. Está muito mais enraizada em nossa cultura, agravada pela falta de assistência e de qualidade de vida da população.
Entra campanha, sai campanha, e de quatro em quatro anos aparece alguém que se transforma no maior sucesso da temporada. Com a falta de opção, aparece em primeiro lugar nas pesquisas com 900 mil votos. Escolhem o palhaço, muitos lavrando assim seu protesto. Outros, achando que esse personagem engraçado pode representá-los, ingenuamente.
O voto de protesto já aconteceu em eleições anteriores. Lembro até mesmo de uma eleição em que um animal do zoo (se não me falha a memória) foi o mais votado. Entretanto, o candidato travestido de palhaço não tem a menor noção da importância de um deputado federal para a sua região. Me surpreende ainda mais o partido, aceitá-lo na legenda. Mas dizem os especialistas que há algo por trás dessa candidatura. 900 mil votos é muito além do necessário para se eleger. Os votos excedentes, segundo eles, vão para o partido ou para a coligação. Nesse caso, o voto proporcional poderá eleger também candidatos ligados ao escândalo do mensalão.
Nota-se pelo teor das entrevistas, pelos programas do horário eleitoral e pelos debates que já foi a época que os candidatos traziam programas e projetos e explicavam as propostas claramente e polemizavam quando preciso. As entrevistas e debates ficaram mais amistosos, muito mais chatos, deixando escapar evasivas e perguntas sem respostas. Um candidato tem propostas interessantes, mas evita falar, buscando apenas o apoio de seu antecessor pois este é popular. Um outro, não possui propostas e quando interrogado, desvia o assunto. Um terceiro tem proposta, mas não consegue ser conciso, claro, chegando ao ponto da incompreensão e da falta de senso de oportunidade em adquirir simpatizantes com as falhas de seus adversários. E assim por diantes, vivemos nós eleitores, aturdidos com nossos representantes e nas mãos de seus partidos, que preferem a politicagem ante a política.
O voto consciente não vale apenas para o dia 3 de outubro. Ele será nossa voz, nossos olhos e consciência por longos quatro anos e além. O futuro do país está em nossas escolhas, em nossos representantes. Eles são muito mais que nossos funcionários (já que parte de nossos impostos pagam seus salários), são a chance de melhorar a qualidade de vida de milhares de brasileiros. Os 135 milhões de eleitores têm nas mãos a chance de fortalecer a democracia.
Não estou fazendo apologia ao voto branco ou nulo. Muito menos generalizando e afirmando que todos os candidatos fazem parte dessa escória que assola a política brasileira. Temos - e tivemos - bons exemplos na política. Sua memória é boa? Então você certamente se lembra. Quem tem memória curta, pensa apenas no presente, e acha que pior que está não fica...

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ser ou ter? Eis a questão...

Me sinto vazia, sem rumo. Acredito que todas as pessoas que se viram na mesma situação que me encontro questionaram, um dia, se fizeram as escolhas corretas.
O que mais pesa em tudo o que eu faço, é o lado profissional. Ficar num beco, sem saída, esperando que um milagre caia do céu, não faz meu tipo. Mas, pergunto: que fazer? Não tenho por onde começar a procurar. Poucos são meus contatos em São Paulo. Outros poucos em Sorocaba. Quero começar algo novo, que me desafie, e suplico ao universo que ele conspire a meu favor e um dos e-mails e currículos que enviei, ao menos, seja respondido.
Gostaria muito de voltar a morar em Sorocaba. A cidada é tão acolhedora, as pessoas são mais sensíveis e menos estressadas. Lembro-me de uma tirinha da Mafalda, que reclamava: "E não é que neste mundo tem cada vez mais gente e cada vez menos pessoas?!". Entende? Ninguém quer colaborar, ajudar, não são pessoas; são indivíduos com suas necessidades em primeiríssimo lugar. Não importa o quão capaz você seja. O que realmente importa é se você se encaixa no padrão que eles acham ser correto.
Ah, indiferença... esse mal que atinge a grande maioria das pessoas e elas nem percebem que contraíram o vírus.
Talvez eu esteja infectada com tal vírus, pois passamos por situações ou vemos em nosso dia a dia pessoas sofrendo e achamos que isso faz parte da nossa realidade. Acabamos aceitando a vida como ela é. E nem agradecemos ao universo tudo o que somos e o que temos.
Mas ainda assim, reluto em acreditar que existam mais pessoas más, invejosas, traiçoeiras do que pessoas engaijadas, corajosas, capazes. Talvez ainda viva no país das maravilhas. Quem sabe um dia essas pessoas percebam que o ser é mais importante do que o ter.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

10 coisas...

"Odeio o modo como fala comigo
E como corta o cabelo
Odeio como dirige o meu carro
E odeio o seu desmazelo
Odeio suas enormes botas de combate
E como consegue ler minha mente
Eu odeio tanto isso em você
Que até me sinto doente
Odeio como está sempre certo
E odeio quando você mente
Odeio quando me faz rir muito
Ainda mais quando me faz chorar
Odeio quando não está por perto
E o fato de não me ligar
Mas eu odeio principalmente
Não conseguir te odiar nem um pouco
Nem por um segundo
Nem mesmo só por te odiar"

Irada, mal paga e ****

Esperar por algo ou alguém, para mim, é a coisa mais torturante que existe. Quando são as duas coisas, quase arranco os cabelos de ansiedade.
Não sei como pode acontecer, mas aconteceu. Fracassei um pouquinho mais. Quase nem foi minha culpa... Não tenho certeza do que estava fazendo lá. Mas acreditem: foi a melhor e a pior experiência que já vivi. Se não cresci profissionalmente falando, não acontecerá novamente.
Pensei outro dia com meus botões: ser jornalista é a pior coisa que se pode escolher pro seu futuro. É sério! Vocês conhecem um repórter milionário?? Famoso tem aos montes, afinal, hoje qualquer um tem seus 15 minutos de fama. Mas eu não quero fama. Eu quero ser reconhecida pelo meu talento e capacidade. E, claro, ter um bom salário, porque trabalhar de graça, vocês já sabem né?
E foi com essa insatisfação que me imaginei no lugar de várias pessoas. E não tem jeito: vou acabar vendendo água de coco na praia! Primeiro, porque estou ficando cada vez mais nervosa com a falta de educação das pessoas. Tenho vontade de sair dando sapatada nesse povo sem noção que acha que são donos das ruas, dos metrôs, que te empurram, te acotovelam, que atendem mal, que quase te atropelam, aff!
Segundo, porque a concorrência é grande. Pronto, falei! Outro sábado, finalmente saí. Fui a uma danceteria com amiga e o que eu constato: ou é gay (sem ofensa alguma, afinal adooooooro) ou é emo ou é sapata. Bom, o lugar é próprio para esses frequentadores, a música é muito boa, mas eu não faço parte desse público. E, pra variar só um poquinho, lá também te empurram, te acotovelam no estômago, te atendem mal e de lambuja, te passam a mão.
Agora, preciso ter a paciência de um santo para refazer minha vida, recomeçar e aguentar a educação dinamarquesa desse povo. E mesmo sendo jornalista, não consigo descrever, não consigo achar as palavras certas para expressar minha indignação. Só sei que a humanidade está caminhando. Talvez para o fim do mundo...


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Volta aos tempos áureos

Como as coisas mais simples fazem falta quando você não as realizam? Um simples chopp num barzinho com os melhores amigos faz uma faltaaaa...
Poder falar besteira sem ser censurado, trocar ideias insanas, teorias de conspiração contra gente chata e perseguidores, botar as fofocas em dia... é tãaaao bom! É tão bom rir! Rir dos amigos e com eles!
Pena que mal deu tempo de convidar todos os amigos. Falei com a Caah por pouco tempo, sinto falta da Mary.. Foi uma passagem rápida pela cidade que eu amo de paixão. Nem deu tempo de tirar fotos para atualizar as redes sociais, mas valeu muito a pena, especialmente no momento em que me encontro. Me perdi? Sim, me perdi e não sei que rumo tomar...Não para onde ir ou que direção tomar para poder iniciar outro caminho. Mas só de saber que posso contar com eles em qualquer situação, me alivia a alma.
Minha alma está pesada. Ainda penso que foi culpa minha, que fracassei mais uma vez. Entretanto, meus fracassos e erros são tão pequenos diante de meus melhores amigos.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Comendo, rezando e amando


Putz, julho já está no fim e este mês não deu para fazer quase nada, tamanha a ansiedade em que vivi.
Mas fico feliz em saber que terminei mais um livro. Li, no início com ressalvas, "Comer, rezar, amar," de Elizabet Gilbert, depois para matar a curiosidade para saber por que virou best seller e depois, para saber o que poderia absorver daquela experiência extrema.
Bom, pra começar, a autora, à época, tinha minha idade. 35. E vivia as mesmas frustrações com sua vida pessoal que eu vivo hoje. Claro que a diferença é que o casamento foi o motivo do descontentamento consigo mesma. No meu caso, a solteirice.
Voltando ao mês, este foi o ápice de minha loucura (detectada medicamente falando). Fiquei tãaaaaaaaaaao nervosa com meu desempenho no trabalho, que estava quase subindo pelas paredes. Resultado: crise brava de rinite, ansiedade, palpitações, dificuldade para dormir, crises de choro e alergias. Além disso, ficava pensando o tempo todo se valia a pena passar por tudo, se eu não me joguei de cabeça sem avaliar as consequências e uma vontade enorme de desistir e voltar pra casa.
Resolvi marcar uma consulta com meu homeopata. Contei tudo! Ele analisou e chegou à mesma conclusão de antes: tudo isso é doença. Estou doente da cabeça, ou melhor da mente. Minha mente é tãaaaaaao fértil e intensa que imagino zilhões de coisas e penso em zilhões de coisas ao mesmo tempo e daí, fica difícil discenir o que está certo ou errado para mim. Bom, daí pra frente, a coisa só piora. O importante é que já tomei remedinho com potência alta, beeem alta. E no mesmo dia já me senti melhor.
Hoje estou mais calma. Mas de vez em quando ainda me vem uns flashs, começo a pensar besteira, a roer as unhas e então, me acalmo novamente. Acho que preciso de uma nova dose só para completar o serviço!
Durante esse processo, estava lendo o tal livro. Tem umas passagens muito boas e uns mantras que poderia usar no dia a dia, se eu meditasse. Mas além disso, a experiência de Elizabeth na procura por Deus, na procura do prazer e da divindade me fez pensar muito. Estou no mesmo processo, procurando Deus. Mas acho que todos já sabem onde Ele está. O que preciso agora é focar mais nesse relacionamento. Os pensamentos positivos que tenho enviado ao Universo talvez possam me ajudar algum dia. Estou depositando-os em algum arquivo universal para quando precisar - ou pra quando o remédio não fizer efeito!
Preciso ter fé que tudo vai dar certo, senão qual o propósito disso tudo? Brinco que caí de paraquedas na revista, mas acredito que não foi uma brincadeira do destino. Assim como me senti tocada pelos sofrimentos que a autora passou e conseguiu suportar tudo, mudando o que havia de errado dentro dela, da cabeça e do coração dela, acredito piamente que assim acontecerá comigo. "Isso também passa".
Enquanto tento colocar meus pensamentos em ordem, em alinhamento com o Universo e comigo, continuarei comendo (chocolate), rezando (à Deus, da minha forma, para conseguir fazer meu trabalho da melhor maneira possível porque meditar é coisa impossível de realizar quando se tem uma mente louca) e amando (a homeopatia, santa homeopatia!) por equanto...


quinta-feira, 1 de julho de 2010

A (des-)arte de conquistar - 2

Ainda sobre o assunto, quero acrescentar que meu fracasso social também se dá em outras esferas.
A sociedade - nem preciso dizer como ela é, pois todos nós sentimos na pele as dificuldades e estresses diários - nos obriga a "rebolar conforme a música". E quando isso não acontece, há a exclusão. Meu primo - que nasceu aqui - me disse como esta selva de pedra pode ser extremamente madrasta até mesmo com seus filhos. As coisas por aqui acontecem em outro tempo, em outra realidade, bem diferente daquela que somos acostumados no interior, onde é hábito dizer "bom dia" se não por educação, que seja por delicadeza. O nível de intimidade na cidade grande é quase zero. No trabalho, a situação é a mesma. É cada um por si. Faça o seu que eu faço o meu.
Eu, que sempre usei as "palavras mágicas" (bom dia, por favor, com licença, obrigada) e que acredito que educação vem de berço, fico assustada com o desprendimento das pessoas. A desculpa é sempre o corre-corre diário, a ansiedade de se fazer tudo pra ontem. Não custa nada usar as palavras a seu favor. Pelo contrário! Você está desejando que a pessoa tenha um bom dia, um dia agradável, com coisas boas acontecendo. E quando há a recíproca, tudo de bom que você desejou naquelas simples duas palavrinhas, volta em dobro pra você. O dia fica tão mais leve!
Mas na cidade grande, as pessoas esqueceram o quanto é importante o relacionamento humano. O contacto com o outro é menosprezado por falta de tempo. Às vezes, por falta de educação mesmo... As relações interpessoais foram diminuídas, isoladas às páginas de relacionamento da internet.
Entretanto, essa manifestação (anti)cultural paulistana se dá há anos e anos e não é culpa da net, mas agravou-se com ela. A exigência de ser produtivo levou as pessoas à relacionar-se superficialmente. Mal se falam no trabalho - mesmo que dividam a mesma estação de trabalho -, mal conhecem seus vizinhos e mantém um círculo de amizades restrito, sem aberturas. E quando se vêem numa situação diferente, se sentem perdidos: lembro de uns amigos de São Paulo que foram passar as férias de julho no interior. Em casa, eles se sentiram completamente constrangidos pela maneira como tratamos os outros (lembre-se: gentileza gera gentileza), especialmente minha família. E quando perguntei à minha mãe se podia tomar banho (hábito que temos até hoje), foi o fim do mundo para eles!
É por isso que me sinto tão perdida por aqui. É exatamente por isso que me sinto sozinha e morro de saudades dos meus amigos do interior. Fazer amigos lá é uma coisa natural. Não precisamos nos esforçarmos para sermos agradáveis. É por isso que, para mim, Sampa ainda continua um lugar cinza.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

A (des-)arte de conquistar

Ah, se antes já era difícil, agora então, se torna uma barreira 99,9% instranponível.
O que muitos homens achavam que aquilo realmente acontecia comigo - e que eu confirmava pra não ficar muito feio - torna-se uma vontade (e uma realidade) beeeeem distante.
A verdade é a seguinte: não opero com nenhuma habilidade, destreza ou malícia a arte de conquistar. Não faço aqueles joguinhos que a maioria das mulheres sabe fazer e não sei encarar o sexo oposto com "olhar 43, aquele assim, meio de lado, já saindo indo embora, louco por você", muito menos chamar sua atenção.
Resultado: vida social inerte. Mortinha da silva. Essa arte não é pra mim...
Não estou me queixando ou dando uma de mulher desesperada, louca pra dar uns beijos no primeiro ser que aparece na sua frente. Não, de jeito nenhum. É apenas um fato, uma constatação que faço desde que vim morar em Sampa. Irônico, para quem já conhece a história de "São Paulo não é a nova Piauí". Vim, mas vim sozinha e feliz!
Talvez seja apenas o fruto de muitas frustrações e o medo de me estrepar novamente. Sinto falta quando coloco a cabeça no travesseiro ou quando tenho que enfrentar a vida lá fora. Fora isso, tudo bem. Me sinto livre pra fazer o que quiser, quando quiser. Essa é a vantagem absoluta da solteirice!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Amor de mãe

Níver de mommis!!!!!
E eu não pude estar ao lado dela hoje...
Comemoremos então 7.1! E que venham mais 7.1 momentos de felicidade, saúde, paz e muito amor!
Minha mãezinha é forte, guerreira, como tantas outras mães desse mundão. Mas ela é especial porque é mãe Moura. E pra entendê-la, só sendo um Moura. E nem sempre isso acontece. A mãe Moura é mil vezes mais sábia, mil vezes mais compreensiva, mil vezes mais enérgica, mil vezes mais brava, mil vezes adorada, mil vezes tudo!
Lov. u forever mom!!!

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Conselhos de pé de ouvido

Apesar de quase fazer um ano que estou aqui, ainda me sinto um pouco insegura. As coisas melhoraram 200%, mas vocês sabem como sou. Ariana, apesar da confiança exagerada, conto com um diabinho no ombro cochichando o tempo todo no meu ouvido: "ainda não está bom o suficiente!". Do outro lado do ombro, tem o anjinho dizendo que "você está indo muito bem!". E eu, teimosa, acredito que as coisas podem melhorar mais ainda; eu posso melhorar muito mais. Sou perfeccionista, admito. E isso me causa uma série de problemas.
Eu preciso ter a certeza, apesar de já me terem dito que sim, que estou pisando em solo firme. Que meus esforços estão dando resultados. Que minha capacidade é suficiente para realizar um trabalho tão bom quanto o dos meus colegas de trabalho.
Eu preciso estar completamente segura para me sentir feliz, realizada. Parece que estou operando em modo automático, até ter certeza que minhas ações são suficientes, capazes. Digamos que estou 60% feliz. Eu quero mais!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

No país das maravilhas

É a segunda vez que isso acontece: "você é tão bonita, devia sair mais. Conhecer gente, arranjar um namorado. Não pode ficar sozinha", diz o motorista gentil que às 2 da manhã, após um dia todo de trabalho, puxando papo me aconselha a viver a vida.
Posso até ter mentido, mas estou bem assim. Estou focada no trabalho, tenho outros objetivos neste momento. Devo aproveitar enquanto tenho saúde e posso me matar de trabalhar para conquistar minha independência financeira. Depois penso em passeios, viagens, namorados.
Consegui acalmar meu coração e coloquei dentro dele outras prioridades. Não desisti. Apenas estou adiando, mesmo porque me envolver com alguém que não está interessado realmente num relacionamento (não estou falando em casamento!) não está nos meus planos agora, depois de tudo que passei.
E claro que penso, quando coloco a cabeça no travesseiro, como seria bom ter alguém para compartilhar comigo tudo o que está acontecendo agora... Mas também não quero um cara que fique controlando tudo o que faço, alguém que eu tenha que ficar comunicando pra onde vou o que farei.
Acho que estou bem...ou pelo menos sei fingir muito bem. Só me sinto como se estivesse num mundo paralelo, não tãaaaao maravilhoso assim.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

O quintal

Abril ficou pra trás. Maio já está no fim. Estou vivendo o início de junho. Tudo acontecerá em junho.
E são de junho as minhas memórias mais queridas. Junho lembra quentão, pinhão, bolinho de frango e fogueira. Comemorávamos assim os aniversários de minha avó, na chácara, no interior de São Paulo. Tive uma infância maravilhosa, devido o trabalho de minha mãe, fomos - minhas irmãs e eu - morar com meus avós na chácara. Lá, as árvores frutíferas eram nossos esconderijos e refúgios. O quintal era imenso e cada dia era dia de novas experiências e de explorá-lo na companhia das minhas irmãs e primos. As árvores, apesar de plantadas, pareciam estar ali há séculos. Com exceção de um flamboyant gigante na entrada da chácara que dava as boas vindas às visitas e que, quando vendida a área, foi a primeira coisa a cair ao chão. Naquele dia, chorei como um bebê ao ouvir o som da serra elétrica. Foi como se podassem pedaços da minha infância.
Também tinha goiabeiras, abacateiros, laranjeiras (de todos os tipos), pés de cana de açúcar, limoeiros, jabuticabeiras, amoreiras, caquizeiros, pés de romãs, peras, maracujá e mangas, pitangueiras, pés de jacas. Flores de todos os tipos e cores. Quatro pés de ipês brancos foram plantados paralelamente à varanda da casa e quando floresciam, iluminavam o jardim.
Lembro-me da varanda, comprida, com vários bancos e cadeiras e lá no fundo, uma rede ao lado da lousa onde deixávamos recados todos os dias. No meio, quase em frente à porta principal, a cadeira de balanço do meu avô. E ele, lá sentado, ouvindo seu rádio de pilha laranja.
A porta dava para a sala. Do lado direito, a poltrona da minha avó e um banquinho de couro vermelho, apoio para os pés. À frente, a estante com a TV. À esquerda o sofá e à frente, uma rádio vitrola muito antiga, que sumiu de casa após a morte da vovó. À esquerda da sala, ficava o quarto da vovó, que tinha um cheirinho de cânfora. À frente da sala, a copa, enoooorme, com duas mesas, uma cristaleira muito antiga que também sumiu e o relógio cuco que tinha pelo menos uns 200 anos. Adivinhem? Sumiu! Dizem que foi vendido. Ao lado da copa, o quarto do vovô, disposto perto do banheiro. E a cozinha ao lado da copa. Cozinha antiga, com cortinas e panos de prato de um xadrez azul que nunca esquecerei. A porta da cozinha dava para o quintal.
Ah, o quintal. Era lá também o nosso universo. De um lado o viveiro de aves do tio. Cheio, repleto de passarinhos coloridos. Do outro, o galinheiro. Isso mesmo, a chácara tinha um galinheiro, misto de horta. Minha avó plantava todas as ervas aromáticas que usava na cozinha. E do lado da horta, o galinheiro. Pavões, patos, marrecos, faisões, galinhas, codornas eram criados. Nós colhíamos os ovos, quentinhos, saídos do forno! E tínhamos um pouco de remorso quando comíamos a omelete. Matar uma galinha para o almoço de domingo era a morte pra gente. Literalmente!
E para completar, nosso tio tinha vários cães. E para disputar espaço, os gatos da minha tia solteira. Tudo isso num lugar que para crianças, era mágico. Lá, o maior crime do mundo podia ser praticado a qualquer hora: roubar aquela fruta fresquinha e comê-la aos pés da árvore, sem vizinho reclamando.
Minha infância tem gosto de cana de açúcar cortada em quadradinhos, de chá de romã para curar dor de garganta, de laranja lima bem docinha, de bolinho de chuva em dia frio. Tem as memórias de brigas e aventuras entre primos. De alimentar as aves do galinheiro toda tarde. De colher amoras para fazer geléia. Da esperança de salvar os passarinhos caídos dos ninhos.
Quando saí de lá, o meu quintal era a lavanderia do meu apartamento em Sorocaba. E por algum motivo, sinto falta dele também. Lá, os amigos se reuniam para fumar, além de ser assunto quando a colega de quarto deixava o lixo criar chorume...
E como disse, em junho, as coisas acontecerão. Quem sabe até lá, já terei o MEU quintal...